A Ergonomia e a melhoria das condições de trabalho


Na atualidade, a ergonomia é utilizada no estudo das relações que se estabelecem no meio de trabalho, visando à melhora das condições, considerando não somente o ambiente físico, mas o organizacional, permitindo uma produção maior e conseqüentemente melhoria na qualidade do produto final. “A ergonomia tem sua origem na Segunda guerra mundial (1939 a 1945) com o objetivo de adaptar as armas de combates ao homem como forma de se obter vantagens sobre o adversário e, com isso, garantir maiores chances de sobrevivência”. (MONT’ALVÃO e FIGUEIREDO, 2005, P.89).

O conceito Ergonomia surge em 1948, devido ao projeto da cápsula espacial norte americana, quando o homem tentou uma adaptação a qualquer tipo de máquinas, decorrente aos desconfortos sentido pelos astronautas no primeiro protótipo da cápsula espacial, houve a necessidade de replanejar o tempo e os meios para a viagem ao espaço. (MENDES e LEITE, 2004, p. 91).

De acordo com Mont’Alvão e Moraes (2000), o termo Ergonomia é utilizado pela primeira vez, como campo do saber específico, com objetos próprios e objetivos particulares, pelo Inglês e Psicólogo K.F. Hywell Mufffel no dia 8 de julho de 1949. De acordo com Mont’Alvão e Moraes (2000), a Ergonomia, como uma ciência, procura conhecer as características do desempenho humano, suas capacidades e limites. A ergonomia deve delinear seus métodos numa perspectiva de intervir no trabalho buscando maior segurança e bem-estar a todos os processos de trabalhos. Mont’Alvão e Moraes (2000) afirmam ainda que a Ergonomia melhora as condições especificas do trabalho humano, com a higiene e a segurança do trabalho.

Para Mendes e Leite (2004), na ergonomia as relações do conforto com a laboriosidade estão cada vez mais contíguas, devendo garantir a segurança durante a execução das tarefas para evitar os acidentes de trabalho. Segundo (CHAPANIS apud MONT’ALVÃO e FIGUEIREDO, 2005, p.92), é aconselhado que os métodos ergonômicos sejam sempre utilizados em conjuntos com outros profissionais, procurando elaborar um diagnóstico, bem como propor soluções que visem transformar as condições de trabalho.

De acordo com Mont’Alvão e Figueiredo (2005), a ergonomia como ciência estuda a performance humana, suas capacidades, limitações e outras características do desempenho humano.

Segundo Martins (2001), o surgimento da ergonomia partiu do intuito de melhorar as condições de trabalho, podendo ainda ajudar na prevenção das Doenças Osteo-musculares Relacionadas ao Trabalho (DORT). Assim segundo Mendes e Leite (2004), a ergonomia é capaz de sustentar positivamente as formas modernas de se administrar à produção, sendo capaz também de ajudar as empresas de diminuírem a prevalências de lesões por esforços repetitivos.

A perda da função natural do movimento humano pelo trabalho sedentário e estressante, associado a um estilo de vida também sedentário, provocou distúrbios e doenças no corpo do homem contemporâneo, como doença arterial coronariana, hipertensão, obesidade, problemas da coluna, ansiedade e depressão. Essas doenças têm sido relacionadas direta e/ou indiretamente com a falta da atividade física regular, que gera um nível baixíssimo de esforço físico durante todas as atividades diárias. (MENDES e LEITE, 2004, p.92).

O fato é que um dos grandes vilões do surgimento de lesões é justamente o sedentarismo. Na atualidade, algumas pessoas ao usufruir as novas tecnologias, podem vir a ser expor menos a esforços físicos mais intensos, como a execução de tarefas do cotidiano e em atividades voltadas ao lazer, adotando assim um estilo de vida essencialmente sedentário. O sedentarismo está correlacionado com a falta de atividade física. De acordo com Mendes e leite (2004), no ambiente de trabalho, o sedentarismo traz aos indivíduos uma perda de equilíbrio físico e emocional e diminuição da massa muscular, que causam várias disfunções orgânicas, e podem muitas vezes, levar o indivíduo à morte. É nessa perspectiva que Allsen, Harrison e Vance (2001) entendem que um estilo de vida sedentário afeta o início, o desenvolvimento e a recuperação de vários distúrbios metabólicos vasculares.

Mendes e Leite (2004) relatam que a vida do homem urbano-ocidental com a revolução industrial e os avanços tecnológicos mais freqüentes passaram a potencializar o nível de sedentarismo, situação evidenciada na maior parte dos países, enquanto que nos os paises em desenvolvimento o sedentarismo e menos comum, mais evoluem com a continuidade do desenvolvimento (ALLSEN; HARRISON e VANCE, 2001, P.10),

Segundo Lima (2003), A vida sedentária provoca literalmente o desuso dos sistemas funcionais. O aparelho locomotor e os demais órgãos e sistemas solicitados durante as diferentes formas de atividade física entram em um processo de regressão funcional, caracterizando, no caso dos músculos esqueléticos, um fenômeno associado à atrofia das fibras musculares, à perda da flexibilidade articular, além do comprometimento funcional de vários órgãos. A situação se agrava ainda mais nas sociedades onde o progresso da tecnologia encontra-se difundido. De fato, os progressos tecnológicos refletem negativamente sobre o organismo humano, predispondo o mesmo para a condição de sedentário (LIMA, 2004).

Analisando tal condicionante, Mendes e Leite (2004) defendem a tese de que a condição de sedentarismo se prende ao nível de condicionamento físico baixo e não a idade avançada ou percentual de gordura e para se classificar uma pessoa como sedentária, deve-se avaliar o quanto ela gasta de energia durante a execução das atividades do trabalho e do lazer.

Conforme estudo realizado por estes autores, 60% da população adulta norte americana e 50% da população canadense, mesmo com os incentivos para prática da atividade física, continuam sedentários, fato que acaba comprometendo a saúde da população.

O Sedentarismo, por si só, permite que se desencadeie a ação conjunta ou isolada de fatores de risco à saúde (acúmulo de placas de ateroma, hipertensão arterial, diminuição da densidade óssea, estresse, enrijecimento músculo-articular, entre outros) o que explicitamente contribui para a instalação de um quadro de morbidade. (MARTINS, 2001, p.36).

De fato, o comportamento sedentário do ser humano atualmente, diante da evolução tecnológica no ambiente de trabalho, no lar e até mesmo nas atividades de lazer, resulta neste individuo uma menor realização de movimentos, tem acarretado um menor trabalho muscular. Isto obriga o mesmo, interessado em mudar esta situação, a participar de um programa regular de exercícios físicos no ambiente de trabalho (MENDES E LEITE, 2004).

De acordo com Allsen; Harrison e; Vance, (2001), a atividade física influência de maneira significativa à saúde física e psicossocial, sendo importante em todos os estágios da vida, desde a infância até as idades mais avançadas.

Portanto, sendo hoje a questão da promoção da atividade física vista como importante e necessária, o setor produtivo da sociedade, em um enfoque epidemiológico e de saúde pública, começa a descobrir na prática sistematizada da atividade física e/ou dos exercícios mais um meio para atingir objetivos na melhoria da saúde e qualidade de vida dos trabalhadores. (LIMA, 2003, p.35).

De acordo com Lima (2003), o aumento dos níveis de destreza física na população também pode contribuir indiretamente para ganhos em outros setores vitais no desenvolvimento humano e progresso econômico. Mendes e leite (2004) concluem que os profissionais de saúde e do setor de recursos humanos devem proporcionar o retorno do movimento corporal aos trabalhadores, pela a implantação de programas com atividades físicas regulares e sistemáticas. Sendo necessário introduzir programas de prevenções quantos aos males da vida moderna, que tendem sempre a priorizar o conforto e a rapidez em prejuízo da saúde física e mental, o que influencia diretamente na qualidade de vida, especialmente nos ambientes de trabalho onde o desgaste compromete diretamente as condições de saúde do trabalhador e o próprio rendimento deste, resultando em prejuízos para as empresas.

O fato é que a Qualidade de Vida nas Empresas se torna cada vez mais um pré-requisito para a eficiência do profissional e, conseqüentemente, retorno econômico para os empregadores – fato que vem despertando cada vez mais a atenção e preocupação dos dirigentes empresariais. O homem dos dias atuais passa grande parte do seu tempo dentro da estrutura organizacional e leva consigo todas as suas potencialidades e limites para dentro da empresa. Toda empresa é um conjunto sociocultural muito complexo e que tem na organização do trabalho um papel preponderante para a saúde de seus trabalhadores.

Desta forma, a qualidade de vida no trabalho é definida como urna qualidade de vida relacionada somente ao trabalho, porém o contentamento no trabalho não pode estar isolado da vida do individuo como um todo (MENDES E LEITE, 2004). Assim, a qualidade de vida no trabalho apresenta uma relação entre a qualidade de vida dentro e fora do trabalho. Quanto melhores suas condições de trabalho e de vida, mais lucrativa e competitiva pode se torna-se a empresa. No mundo do trabalho, a qualidade de vida tem uma conotação mais voltada para qualidade total e para a qualidade do produto. Dessa forma, a qualidade seria responsabilidade de todos os trabalhadores e não somente de um departamento, ou seja, depende simultaneamente do indivíduo e da organização, e é este o desafio que abrange o indivíduo e a organização.

Conforme Lima (2003), a maioria das empresas estão modificando seus conceitos em relação à forma de conceber e proporcionar a qualidade de vida de seus funcionários. Mendes e Leite (2004) reforçam que varias empresas no Brasil estão se mobilizando não só pela busca de qualidade de vida, mais também a competitividade e produtividade. Na implantação de programas com esses objetivos nas empresas, há necessidade de manter o equilíbrio entre as dimensões tecnológicas, econômicas e sociais.

Apesar dos esforços e das evidências praticas visíveis e comprovadas quanto à contribuição de Programas de Qualidade de Vida Nas Empresas, não podemos de deixar de considerar que há um longo caminho a ser percorrido até que possamos de fato crer que as organizações estejam realmente preocupadas com a saúde do trabalhador e o bem estar de seus funcionários. [...] Mas não se pode negar que para haver um reconhecimento da importância de um tratamento humanístico nas relações trabalhista, mesmo que permeado por muitas propriedades e interesses. (MONT’ALVÃO e FIGUEIREDO, 2005, p.63).

MONT’ALVÃO, C.; FIGUEIREDO,F. Ginástica Laboral e Ergonomia. Rio de Janeiro: Sprint, 2005.

MONT’ALVÃO, C.M.; MORAES, A. Ergonomia: conceitos e aplicações. Rio de Janeiro: 2AB, 2000(2ºedição, ampliada).

Ginástica Laboral: Contribuições para a saúde e qualidade de vida de trabalhadores da indústria de construção e montagem – Case TECHINT S.A. Disponível em < http://www.efdeportes.com/> Revista Digital - Buenos Aires - Año 10 - N° 77 - Octubre de 2004. Acessado em abril de 2005. #ginásticalaboral #ergonomia #segurançadotrabalho #sejamais

0 visualização

© Proativa Eventos 2019