A revolução industrial as mudanças na forma de produção e suas conseqüências para o trabalhador









É consenso no meio científico que a revolução industrial se constitui como um dos principais eventos para aqueles que buscam compreender como se deram as mudanças nas relações de trabalho, em particular, e para a sociedade de um modo geral. Se de um lado, os desenvolvimentos tecnológicos trazidos por essa nova forma de produção propiciou diversas alternativas de desenvolvimento, por outro contribuiu para a difusão de problemas relacionados à saúde do trabalhador tanto pela exaustão oriunda da necessidade de aumento contínuo da produção; como em decorrência das próprias condições de trabalho principal explicação para os distúrbios (mentais e físicos) cada vez mais crescentes no âmbito social.


Segundo Pazzinato e Senise (1992), A revolução industrial seria um conjunto de profundas transformações econômicas, tecnológicas e sociais ocorridas na Europa a partir da segunda metade do século XVIII. Foi, sobretudo, a passagem do modo de produção agrário e artesanal para outro de cunho industrial, dominado pelas fabricas. Dentre as várias transformações ocorridas podemos ressalvar o modo de vida dos indivíduos na sociedade como sendo um dos aspectos que mais sofreram modificações ao longo do tempo. Essas transformações importunaram alterações significativas no modo de vida das pessoas, tanto no domínio biológico como no psicológico e social. Todas as facilidades que o modo de vida moderno proporciona às pessoas podem inicialmente parecer uma grande vantagem. No entanto, quando analisamos mais profundamente a relação custo - beneficio, observamos que a médio e longo prazo as conseqüências não são tão vantajosas assim, e muito pelo contrário, podem ser até desastrosas.


A industrialização acarretou uma grande modificação no movimento do ser humano, visto que se transformou uma sociedade basicamente rural, trabalhadora e fisicamente ativa em uma sociedade predominantemente urbana, usuária de várias e novas tecnologias e fisicamente inativa. (MENDES e LEITE, 2004, p.84).


As inovações tecnológicas e as invenções evoluíram cada vez mais rápido em todas as partes do mundo ocidental o que causou uma mecanização e, por conseguinte, a automação dos locais de trabalho que segundo Mendes e Leite (2004), modificaram o movimento humano, que de uma atividade corporal ampla ficou restrita. As mudanças no movimento corporal causaram no ser humano uma involução, essas mudanças ocorreram de formas inversamente a organização do trabalho. Segundo Smith (SMITH Op. Cit MONT’ALVÃO e Figueiredo, 2005), no decorrer do século XVIII surge o inicio da divisão do trabalho como resposta à complexidade da mecanização do trabalho e militar, sendo também a revolução industrial uma revolução social, causada pelo conhecimento de novos meios de produção. Com a divisão e a organização do trabalho pode-se segundo Mendes e Leite (2004), se caracterizar quatros momentos bem característico do modo de produção capitalista que influenciaram nas mudanças ocorridas nos movimentos do corpo humano: a cooperação Simples, a manufatura, a maquinaria e a automação.

A cooperação simples foi segundo Mendes e Leite (2004) o primeiro momento da produção: O trabalhador executava tarefas variadas com a utilização das ferramentas correspondente as do artesão. A unidade industrial típica do final da Idade Média era uma pequena oficina, tendo um mestre como empregador em pequena escala, trabalhando lado a lado com seus ajudantes. Os artesãos profissionais eram donos tanto da matéria-prima como das ferramentas utilizadas para trabalhá-las e vendiam o produto acabado. As mercadorias, antes feitas apenas para atender as necessidades de casa, passaram a ser vendidas num mercado externo. As cooperações se preocupavam com o bem-estar de seus membros. Era uma espécie de irmandade que tomava conta dos membros em dificuldade. Provavelmente começaram com este objetivo - o de ajuda mútua em períodos difíceis. Embora as condições de vida fossem ainda deficientes, a atuação do trabalhador seguia em uma dinâmica sustentável no que se refere ao seu bem estar físico e mental.


Já com o advento das manufaturas, desenvolvidas a partir do século XVII, com uma centena de diferentes ofícios, instaurando novos modos de organização começaram a aparecer grandes empresas com considerável concentração de capital e agrupando um número significativo de operários, organizados em corporações ou comunidades, o que consistia em uma simples reunião comercial de múltiplos ateliês familiares, transformou-se em fábrica que empregava trabalhadores.


Com isso, houve um aumento da intensidade do trabalho e da produtividade, pois tal tipo de tarefa compunha em um trabalho coletivo, que consumia menos tempo para confeccionar um determinado produto do que o tempo gasto por um artesão. Segundo Pazzinato e Senise (1992), com a manufatura o capital cada vez mais se concentrou nas mãos da minoria burguesa, enquanto crescia o número de trabalhadores, despossuídos de instrumento de trabalho, favorecendo a redução da qualidade de vida. Com a difusão das técnicas para a produção, a exemplo dos setores de produção de tecido, advento da maquinaria, houve um novo avanço nas formas de produção e, conseqüentemente, nas relações de trabalho uma vez que possibilitou a substituição das ferramentas artesanais (MENDES e LEITE, 2004). Com isso, a força humana deixa de ser a principal fonte energética no modo de produção sendo substituída pela maquinaria o que provocou o afastamento definitivo entre o capital e o trabalho. Nesse período, os movimentos humanos foram determinados pelas maquinas, o homem já começa a sofrer as conseqüências da revolução. “Foi um período de muita tensão social e de más condições de trabalho: em 1948 os homens trabalhavam 18 horas/dia; mulheres e crianças, 14 horas/ dia”. (MENDES e Leite, 2004, p.88).


Com a automação houve uma redução acentuada na participação de força de trabalho, provocando um grande incremento da produtividade e da riqueza social (MENDES E LEITE, 2004); por outro lado, os mesmos processos reduziram, às vezes de forma espetacular, o processo de tarefas humano, sendo abatidas às atividades de observação, administração e controle: “Se de um lado a automação aumentou a produtividade e suprimiu numerosas tarefas repetitivas, de outro, ela excluiu o trabalhador do controle dos parâmetros de produção”. (MENDES e LEITE 2004, p.88). Se a revolução industrial e o aumento da mecanização levaram a uma modificação radical das composições sociais que vigoraram durante séculos, a automatização introduziu, por sua vez, mutações em grandes escalas, que também conduziram à reformulação de numerosas normas sociais relacionadas com o trabalho, o consumo e os modos de produção. Segundo esses autores, a forma de organização do trabalho resultou em um aumento considerável da produtividade e uma redução do preço dos bens de consumo que obrigaram as empresas a adotarem a fórmula de Taylor-Ford como estratégia de sobrevivência e produtividade. Associadas a correntes administrativas chamadas Taylorismo e Fordismo.


De acordo com Mont’Alvão e Figueiredo (2005), Frederick Winslow Taylor (1856-1915), em 1911 publicou o livro Princípios da administração cientifica, onde adquiriu fama mundial e cujos princípios influenciaram muito a organização do trabalho daquela época, com repercussões até a atualidade. Para estes autores, está implícita na proposta de Taylor a mecanização do homem, havendo interesse somente na capacidade física de realizar o trabalho. Para Taylor estabelecer este principio para administrar e organizar o trabalho numa empresa era fundamental, uma vez que necessária à padronização dos movimentos e dos tempos para execução das tarefas.


Com a elaboração da administração cientifica a potencialidade do corpo do trabalhador, suas desenvolturas inatas e aquelas treinadas, e suas capacidades energéticas passaram a ser controladas e administradas pelo capital, e o trabalhador simplesmente fornece sua capacidade de realizar trabalho, desconhecendo até que ponto chega esta capacidade. (VARGAS, apud MONT’ALVÃO e FIGUEIREDO, 2005, P. 24).


Segundo Mendes e Leite (2004) Taylor, que era engenheiro, criou um trabalho de racionalização de tempos e métodos cuja filosofia gerencial foi tão importante que deu origem a uma corrente administrativa denominada Taylorismo. De acordo com os autores, o taylorismo é o método de racionalizar a produção, de possibilitar o aumento da produtividade do trabalho "economizando tempo”, suprimindo gestos desnecessários e comportamentos supérfluos no interior do processo produtivo. Onde o trabalhador executava o que lhe era indicado, obedecendo a uma rotina de trabalho.


Taylor acreditava que cada trabalhador possuía uma ciência, um saber fazer profissional, daí que se deveria escolher entre as várias soluções apresentadas pela criatividade operária à melhor possível, a forma mais racional de executar-se uma determinada operação, portanto, a mais lucrativa. (MONT’ALVÃO e FIGUEIREDO, 2005, p.25).


De acordo com esta nova perspectiva de montagem, o trabalhador ficava parado em uma determinada posição e o componente a ser montado vinha até o mesmo através de uma esteira, resultando em uma economia de movimentos, fazendo com que o ritmo de trabalho passasse a ser determinado pela máquina e não mais pelo homem (MENDES e LEITE, 2004), reduzindo com isto, oscilações na produção decorrentes do cansaço e fadiga do homem. Segundo Mont’Alvão e Figueiredo (2005), “com a linha de montagem, o ritmo do homem teve que se adaptar ao da máquina; inclusive os critérios para seleção dos operários passaram a considerar o biótipo físico para aquela tarefa”.

Em um sentido oposto, seguia as concepções de Henry Ford a qual se adaptou bem ao desenvolvimento de capitalista que defendia cada vez mais agilidade e descentralização no sistema de produção.


De acordo com Mendes e Leite (2004), Henry Ford desenvolveu uma nova proposta de gestão de produção: a linha de montagem que passou a ser denominado fordismo. Ford buscou incessantemente a contínua redução dos tempos de fabricação dos veículos produzidos pela Ford, de modo a atingir economia de escala — ou seja, diminuir o custo unitário de produção de um veículo através da diluição dos preços fixos em uma grande quantidade de produtos produzidos, sendo essa forma de gerenciamento (gestão) adaptada a outros setores da indústria.


Ainda segundo Mendes e Leite (2004), a prioridade dessa época era produzir a maquina e o posto de trabalho; a procura por pessoas que melhor se adaptassem ao que já estava construído ficou em segundo plano. O trabalhador contratado era um especialista que passava a jornada repetindo o mesmo movimento. O homem sente até os dias de hoje os impactos das transformações que ocorreram no mundo do trabalho. Em seu corpo ficam as “marcas” das inovações tecnológicas e das novas exigências da produção industrial capitalista, especialmente as relacionadas ao aumento significativo dos casos de doenças ocupacionais, gerando afastamento e custos indesejados.


Com aparecimento do especialista – que realizava apenas uma tarefa durante toda a jornada de trabalho, por conseguinte movimenta apenas um grupo muscular especifico -, houve a explosão do número de casos de tenossinovites e outras lesões por esforços repetitivos (LER/DORT) nos membros superiores. (MENDES e LEITE, 2004, p.90).


Mendes e Leite (2004) afirmam que a tecnologia facilitou consideravelmente o manuseio das maquinas, mas foi responsável pela restrição do movimento corporal durante a vigilância do funcionamento da mesma. Mont’Alvão e Figueiredo (2005), acrescentam que o corpo é sacrificado mental pelo auto grau de responsabilidade e atenção que lhe é exigido, além da grande pressão por maior produtividade, e fisicamente o homem se torna cada vez mais sedentário, devido que a própria evolução tecnológica, a força muscular vem sendo substituída por maquinas modernas.


De acordo com Mendes e Leite (2004), atualmente existem vários procedimentos e intervenções que pode ser executado na organização do trabalho para amenizar os efeitos venenosos na saúde do trabalhador, causados justamente pela especialização do trabalhador, como as intervenções ergonômicas.


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