Sedentarismo pode ser combatido com programa de qualidade de vida nas empresas


O sedentarismo está correlacionado com a falta de atividade física. De acordo com Mendes e leite (2004), no ambiente de trabalho, o sedentarismo traz aos indivíduos uma perda de equilíbrio físico e emocional e diminuição da massa muscular, que causam várias disfunções orgânicas, e podem muitas vezes, levar o indivíduo à morte. É nessa perspectiva que Allsen, Harrison e Vance (2001) entendem que um estilo de vida sedentário afeta o início, o desenvolvimento e a recuperação de vários distúrbios metabólicos vasculares.

Mendes e Leite (2004) relatam que a vida do homem urbano-ocidental com a revolução industrial e os avanços tecnológicos mais freqüentes passaram a potencializar o nível de sedentarismo, situação evidenciada na maior parte dos países, enquanto que nos os paises em desenvolvimento o sedentarismo e menos comum, mais evoluem com a continuidade do desenvolvimento (ALLSEN; HARRISON e VANCE, 2001, P.10),

Segundo Lima (2003), A vida sedentária provoca literalmente o desuso dos sistemas funcionais. O aparelho locomotor e os demais órgãos e sistemas solicitados durante as diferentes formas de atividade física entram em um processo de regressão funcional, caracterizando, no caso dos músculos esqueléticos, um fenômeno associado à atrofia das fibras musculares, à perda da flexibilidade articular, além do comprometimento funcional de vários órgãos. A situação se agrava ainda mais nas sociedades onde o progresso da tecnologia encontra-se difundido. De fato, os progressos tecnológicos refletem negativamente sobre o organismo humano, predispondo o mesmo para a condição de sedentário (LIMA, 2004).

Analisando tal condicionante, Mendes e Leite (2004) defendem a tese de que a condição de sedentarismo se prende ao nível de condicionamento físico baixo e não a idade avançada ou percentual de gordura e para se classificar uma pessoa como sedentária, deve-se avaliar o quanto ela gasta de energia durante a execução das atividades do trabalho e do lazer.

Conforme estudo realizado por estes autores, 60% da população adulta norte americana e 50% da população canadense, mesmo com os incentivos para prática da atividade física, continuam sedentários, fato que acaba comprometendo a saúde da população.

O Sedentarismo, por si só, permite que se desencadeie a ação conjunta ou isolada de fatores de risco à saúde (acúmulo de placas de ateroma, hipertensão arterial, diminuição da densidade óssea, estresse, enrijecimento músculo-articular, entre outros) o que explicitamente contribui para a instalação de um quadro de morbidade. (MARTINS, 2001, p.36).


De fato, o comportamento sedentário do ser humano atualmente, diante da evolução tecnológica no ambiente de trabalho, no lar e até mesmo nas atividades de lazer, resulta neste individuo uma menor realização de movimentos, tem acarretado um menor trabalho muscular. Isto obriga o mesmo, interessado em mudar esta situação, a participar de um programa regular de exercícios físicos no ambiente de trabalho (MENDES E LEITE, 2004).

De acordo com Allsen; Harrison e; Vance, (2001), a atividade física influência de maneira significativa à saúde física e psicossocial, sendo importante em todos os estágios da vida, desde a infância até as idades mais avançadas.

Portanto, sendo hoje a questão da promoção da atividade física vista como importante e necessária, o setor produtivo da sociedade, em um enfoque epidemiológico e de saúde pública, começa a descobrir na prática sistematizada da atividade física e/ou dos exercícios mais um meio para atingir objetivos na melhoria da saúde e qualidade de vida dos trabalhadores. (LIMA, 2003, p.35).


De acordo com Lima (2003), o aumento dos níveis de destreza física na população também pode contribuir indiretamente para ganhos em outros setores vitais no desenvolvimento humano e progresso econômico. Mendes e leite (2004) concluem que os profissionais de saúde e do setor de recursos humanos devem proporcionar o retorno do movimento corporal aos trabalhadores, pela a implantação de programas com atividades físicas regulares e sistemáticas. Sendo necessário introduzir programas de prevenções quantos aos males da vida moderna, que tendem sempre a priorizar o conforto e a rapidez em prejuízo da saúde física e mental, o que influencia diretamente na qualidade de vida, especialmente nos ambientes de trabalho onde o desgaste compromete diretamente as condições de saúde do trabalhador e o próprio rendimento deste, resultando em prejuízos para as empresas.

O fato é que a Qualidade de Vida nas Empresas se torna cada vez mais um pré-requisito para a eficiência do profissional e, conseqüentemente, retorno econômico para os empregadores – fato que vem despertando cada vez mais a atenção e preocupação dos dirigentes empresariais. O homem dos dias atuais passa grande parte do seu tempo dentro da estrutura organizacional e leva consigo todas as suas potencialidades e limites para dentro da empresa. Toda empresa é um conjunto sociocultural muito complexo e que tem na organização do trabalho um papel preponderante para a saúde de seus trabalhadores.

Desta forma, a qualidade de vida no trabalho é definida como urna qualidade de vida relacionada somente ao trabalho, porém o contentamento no trabalho não pode estar isolado da vida do individuo como um todo (MENDES E LEITE, 2004). Assim, a qualidade de vida no trabalho apresenta uma relação entre a qualidade de vida dentro e fora do trabalho. Quanto melhores suas condições de trabalho e de vida, mais lucrativa e competitiva pode se torna-se a empresa. No mundo do trabalho, a qualidade de vida tem uma conotação mais voltada para qualidade total e para a qualidade do produto. Dessa forma, a qualidade seria responsabilidade de todos os trabalhadores e não somente de um departamento, ou seja, depende simultaneamente do indivíduo e da organização, e é este o desafio que abrange o indivíduo e a organização.

Conforme Lima (2003), a maioria das empresas estão modificando seus conceitos em relação à forma de conceber e proporcionar a qualidade de vida de seus funcionários. Mendes e Leite (2004) reforçam que varias empresas no Brasil estão se mobilizando não só pela busca de qualidade de vida, mais também a competitividade e produtividade. Na implantação de programas com esses objetivos nas empresas, há necessidade de manter o equilíbrio entre as dimensões tecnológicas, econômicas e sociais.

Apesar dos esforços e das evidências praticas visíveis e comprovadas quanto à contribuição de Programas de Qualidade de Vida Nas Empresas, não podemos de deixar de considerar que há um longo caminho a ser percorrido até que possamos de fato crer que as organizações estejam realmente preocupadas com a saúde do trabalhador e o bem estar de seus funcionários. [...] Mas não se pode negar que para haver um reconhecimento da importância de um tratamento humanístico nas relações trabalhista,mesmo que permeado por muitas propriedades e interesses. (MONT’ALVÃO e FIGUEIREDO, 2005, p.63).


O programa de qualidade de vida nas empresas pode ser proposto como:


1. Atividades Físicas para o desenvolvimento das qualidades físicas, pois segundo Mendes e Leite (2004), A pessoa que pratica atividade física regular melhora a qualidade de vida dentro e fora do mundo do trabalho, diminui o absenteísmo e a rotatividade no ambiente de trabalho, todos ocasionados por desajustes psicossociais De acordo com Martins, a atividade física pode ainda diminuir a chance de desenvolver doenças metabólicas como doenças coronarianas, doenças cerebrovasculares, diabetes, hipertensão, câncer, pedras na vesícula e obesidade, ou seja, a falta de atividade física regular acarreta um impacto negativo no trabalho e, conseqüentemente, na vida das pessoas e o risco de indivíduos inativos desenvolverem doenças cardíacas é duas vezes maior que em indivíduos regulamentes ativos.

2. Atividades recreativas para integração, pois segundo Becker (2002) A recreação vem se tornando cada vez mais presente como técnica a ser desenvolvida nas empresas, pois visa à redução do stress acumulativo tanto na vida pessoal quanto profissional, onde através dessas atividades de integração, desenvolve-se também uma melhora da relação interpessoal fazendo com que o ambiente de trabalho se torne favorável a uma maior produção.

3. Atividades relaxantes para gerenciamento do stress. “O relaxamento muscular aumenta a descontração do indivíduo, sendo fundamental para exercícios de alívio de tensão, incluir exercícios respiratórios e massagem. (LIMA, 2004)”.

4. Ginástica Laboral para compensação dos esforços repetitivos, para a pratica de atividades físicas, recreação e relaxamento.

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Prof. André Souza

Esp. Ginástica Laboral e Qualidade de Vida

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